sábado, 8 de abril de 2023

A VIDA COMEÇA AOS 50

    Quando completei 50 anos, fiquei a pensar no que eu tinha feito durante o meio século de existência vivido até então. Meditei em muitas lembranças da minha vida, umas muito boas, outras, nem tanto. Como desejei que o tempo voltasse uns 30 anos! Porém, eu sabia que isso seria impossível (por que ainda não inventaram uma máquina do tempo?). Bem, voltar no tempo seria útil somente se nossa mente estivesse com a sabedoria de agora, para não repetirmos erros passados. Então, só me restava viver da melhor forma possível as próximas décadas. Como é provável que não viva mais 50 anos com saúde e disposição, eu teria de buscar a minha melhor versão com urgência, pois não havia mais tempo a perder.

    Comecei minha segunda metade de século com uma grande e bonita festa de aniversário. Eu nunca havia tido uma festa de aniversário com tanta gente, com comida, docinhos, bolo e decoração. (verde e vermelha, remetendo a Portugal). Minha família nunca foi acostumada a comemorar aniversários, além de um bolinho. Quem preparou essa festa foi a equipe que trabalhava comigo na Seção de Projetos da Secretaria de Educação. A surpresa da festa foi tão grande, que virou uma chavinha dentro de mim, fazendo com que eu fizesse uma promessa interna, de que, daqui para a frente, todos os anos eu faria algo novo ou visitaria um lugar que eu nunca tivesse ido. Com a festa, senti-me renascendo, com novas oportunidades de ser feliz.

    Já li muitos textos afirmando que a vida começa aos 40. Aliás, essa é uma frase muito repetida, pois pesquisas informam que, nessa faixa etária, as pessoas já conquistaram muito do que almejavam, seja casa própria, família, emprego e carro. Embora eu já tivesse conquistado muita coisa antes dos 50, foi a partir dessa nova idade que me senti como tendo a vida realmente recomeçando. Ter 40 pode representar o auge da vida adulta, mas completar 50 é diferente – o corpo e a mente mudam drasticamente. Para mim, foi como um novo início.

    O melhor de tudo é que, depois dessa festa, consegui manter minha promessa: a cada ano, vivi novas experiências, mesmo durante a pandemia da COVID-19. Já lá vão 4 anos desde aquela primeira promessa. E sigo em frente neste propósito. É como digo: enquanto há vida e saúde, há uma série de possibilidades à nossa frente. Por isso, para mim, a vida começa aos 50.





quinta-feira, 23 de março de 2023

PRECISAMOS FALAR DE ETARISMO

     Com a recente notícia na mídia sobre a aluna de Biomedicina com 44 anos, que foi ridicularizada nas redes sociais por jovens colegas de curso, fiquei a pensar na minha trajetória de vida. 

    Aos 44 anos, fiz um curso de inglês no exterior, por um mês, morando em dormitório estudantil, sonho que eu não consegui realizar durante a minha juventude. Meus colegas jovens, com quem fiz amizade, mantém contato comigo até hoje pelas redes sociais.

    Com 45 anos, participei de uma coletânea de poesias (sim, gosto de escrever poemas) que foi publicada em uma editora portuguesa. Ainda tenho o objetivo de publicar um livro. Aguarde.

    Aos 47 anos, comecei a dirigir e comprei meu primeiro carro, libertando-me de um medo que me acompanhava desde mais nova.

    Ao completar 50 anos, dei de presente para mim uma viagem a Paris, sem falar francês, ganhando ainda mais confiança para continuar a viajar sozinha, o que eu faço desde meus 27 anos. Foi ao completar essa idade tão simbólica, que fiz a promessa de, a partir de agora, todos os anos em que eu viver, conhecerei um lugar novo no mundo ou realizarei alguma atividade inédita para mim.

    Foi então, no meio da pandemia da covid-19, com 52 anos, que eu fiz minha primeira - e até agora - tatuagem. Lógico que o desenho que escolhi representa o que mais gosto de fazer, que é viajar.

    Nessa altura, passei a ser mais ativa nas redes sociais, fazendo alguns cursos de comunicação, área pela qual sempre fui apaixonada, com o objetivo de incentivar outras mulheres a viajarem sozinhas e viverem de forma plena e feliz.

    Completei 53 anos sozinha na linda cidade de Ushuaia, na Patagônia Argentina. Pela primeira vez, visitei o Canal de Beagle, caminhei com pinguins e meditei enquanto observava uma enorme geleira. Ainda aos 53, comecei a caminhar e a participar de provas de pedestrianismo. Uma reeducação alimentar e exercícios físicos fizeram-me perder 18Kg.

    Relato tudo isso para explicar que realizar sonhos não depende da idade. Depende somente de desejar e se programar para isso. 

    Sendo assim, eu gostaria de dizer às mulheres mais jovens que, se tiverem sorte, chegarão à casa dos 40 anos e que isso não será motivo para aposentar ou desistir de fazer seja lá o que for. Eu diria também que discriminar alguém pela idade, ou seja, etarismo, deve ser combatido, uma vez que a expectativa de vida está cada vez maior no Brasil. Segundo os últimos dados do IBGE, a expectativa de vida dos homens passou de 72,8 para 73,1 anos e a das mulheres foi de 79,9 para 80,1 anos. 

    Espero, com estas minhas palavras, incentivar você, leitor a se levantar do sofá e agir rumo à realização daquilo com que sempre sonhou. É isso. Vamos viver uma vida plena de alegria e realizações.






quarta-feira, 15 de setembro de 2021

MOTIVOS PARA VIAJAR SOZINHA

    Comecei a viajar sozinha quando voltei a ser solteira, após um curto e conturbado casamento. Inicialmente, participei de excursões dividindo quarto com pessoas desconhecidas. Depois, passei a me hospedar sozinha e a fazer meu próprio roteiro. Foi a partir dessas experiências de liberdade com privacidade que comecei a adorar viajar sozinha. 
    Em uma viagem com grupo de amigos à Itália, maravilhosa por sinal, dentre algumas situações estressantes por causa de discussões relativas ao roteiro, duas em especial me convenceram de que, muitas vezes, viajar sozinha é melhor do que em grupo. No primeiro dia à chegada em Milão, metade do grupo de 25 pessoas ficou para trás na conexão em Lisboa por causa das imensas filas na Imigração (eu fazia parte desse grupo) e perdeu o voo. Tivemos de esperar nos colocarem em outro avião, que fez conexão em Madrid. Chegamos em Milão à noite e o grupo que havia chegado primeiro já tinha feito os passeios que constavam do roteiro. No dia seguinte, antes de seguirmos para Pádua, conforme o itinerário, a guia sugeriu que fizéssemos um tour por Milão para que nós, que havíamos sido prejudicados, não ficássemos sem conhecer um pouco da cidade. A maior parte do outro grupo não concordou, dizendo que íamos perder tempo e que não podiam sacrificar a programação por causa de nós. Depois de muita discussão, cedemos, seguimos em frente e não conhecemos Milão. 
    Outra ocasião muito estressante foi quando fui à Capela Sistina com mais três colegas e, poucos minutos após entrarmos, elas quiseram ir embora pois já tinham visto o suficiente. Eu queria ficar mais um pouco e observar os detalhes da pintura, mas como estávamos juntas, não pude. Aí, pensei: "tanto dinheiro investido numa viagem para não aproveitar como eu desejava!".
      Sendo assim, elenco abaixo bons motivos para  viajar sozinha:

    1. Autoconhecimento - com mais tempo sozinha, você passa a se conhecer mais.
    2. Liberdade - você faz o seu roteiro e fica o tempo que quiser em cada lugar.
    3. Privacidade - direito de ficar à vontade e respeitar seus gostos e preferências.
    4. Superação - você tem a possibilidade de superar medos e inseguranças.
    5. Novas amizades - sozinha, você tem mais oportunidade de conhecer outras pessoas.
    6. Flexibilidade - se uma programação não agrada mais, você pode alterá-la como e quando quiser.
   7. Observação - quando você está sozinha, tende a prestar mais atenção a detalhes que poderiam passar desapercebidos se estivesse conversando com outras pessoas.
    8. Realização pessoal - a alegria de chegar em casa sã e salva após aventurar-se sozinha por novos lugares é muito gratificante.
    9. Aprendizado - você aprende muito ao ter de resolver situações que normalmente seriam resolvidas por outra pessoa.
    10. Confiança - você adquire mais autoconfiança e melhoria na autoestima.

Viajar em família é muito bom, viajar com amigos é muito bom, mas viajar sozinha também é muito bom. E um tipo de viagem não exclui o outro. 
Se você sonha em conhecer um destino e mais ninguém tem vontade de ir, programe-se, pesquise, elabore seu roteiro, faça as malas e vá! Aposto que será uma viagem inesquecível!





quarta-feira, 1 de setembro de 2021

Como estudei inglês nos EUA durante minhas férias






Eu sempre tive o desejo de estudar inglês fora do país, mas durante minha juventude, isso era muito caro e só os muito ricos podiam investir num curso no exterior, pois não havia as facilidades do mundo moderno, como cartões de crédito e internet. 
    Com a coragem advinda das viagens que eu já havia feito, e graças ao meu trabalho que me proporcionava condições financeiras para tal, em 2012 comecei a pesquisar cursos de inglês nos EUA. Apesar de ter dois sobrinhos morando lá, eu queria justamente ir para longe deles, a fim de ficar completamente sem ninguém por perto que falasse português. Então, comecei a pesquisar sobre cursos de curta duração - infelizmente, eu não tinha disponibilidade para passar muito mais do que um mês fora - e descobri o Programa STEP na Universidade de Washington, em Seattle. Fiquei radiante, pois meu irmão já havia ido a Seattle a trabalho, há muito tempo, e ele sempre falava com carinho dessa cidade. Eu já havia assistido a vários filmes rodados lá e, além disso, eu queria visitar a cidade de Forks, no mesmo Estado, por causa da história dos vampiros da série Twilight. Como o curso de inglês durava 3 semanas, eu teria mais uma para visitar Forks e ainda poderia fazer um bate e volta à Colúmbia Britânica, no Canadá. Então, com os planos decididos, apliquei para o curso, paguei também pela hospedagem em quarto individual dentro do prédio da Universidade e planejei toda a viagem restante.
        Fiquei mais ansiosa do que o normal com essa viagem, pois eu iria ficar completamente sozinha, com a comunicação toda em inglês e eu estava longe de ser fluente (e ainda estou). 
        Na imigração, fui muito bem acolhida. Assim que cheguei no campus, fiquei maravilhada com a estrutura, a organização, a beleza e a natureza do local. Grandes gramados, com bancos, árvores e muito espaço para caminhada, na companhia de esquilos e corvos. O prédio onde eu morei era moderno e dentro do meu apartamento tinha uma sala, varanda, um enorme banheiro comunitário e 4 quartos. Os colegas do curso eram todos asiáticos, grande maioria chineses e coreanos, sendo pouquíssimos japoneses. Quase todos viajavam em grupo e fiz logo amizade com uma  menina japonesa que também estava sozinha. O curso foi realizado nas 3 primeiras semanas do mês de agosto e no primeiro dia fizemos um teste preliminar para sabermos em qual nível entraríamos. Fiquei surpresa por ter sido avaliada para estudar com a turma mais avançada. Na verdade, fiquei admirada com a minha capacidade de me comunicar e de entender a professora e os colegas. A professora era russa e muito simpática. As aulas eram todas as manhãs e duas vezes por semana, no período da tarde, íamos visitar pontos turísticos de Seattle com profissionais da Universidade. O restante das tardes eram livres. Eu frequentava a linda Biblioteca para fazer as lições e ler (fiquei apaixonada pelo prédio, que lembra muito as salas de Hogwarts). Em algumas tardes, sozinha, fiz passeios pela cidade e aprendi a andar de ônibus. Um dia, juntei-me a um grupo de colegas e fizemos um passeio próximo do Monte Rainier. 
        Quando acabou o curso, passei uma semana hospedada em Port Angeles e, de lá, visitei Forks e Sequim, cidadezinhas minúsculas e muito charmosas. Passei um dia, ainda, em Vitória, na Colúmbia Britânica,  Canadá. O acesso se faz via ferry boat e tem imigração dos dois lados da fronteira. Na ida, foi tudo bem; os canadenses foram muito simpáticos. Já na volta, o policial da imigração implicou comigo, questionando o porquê de eu ter ido para o Canadá e querer retornar aos EUA. Tive de abrir a bolsa, mostrar documentos e, depois de muitas caretas, ele deixou-me passar. Essa foi a única vez que me estressei em imigração durante minhas viagens.
        Esta viagem foi uma das mais intensas e corajosas que fiz. Eu sei que, se tivesse ficado mais tempo, teria melhorado muito minha fluência na língua inglesa. Ao final das férias, eu me comunicava com bem mais facilidade. O  mais importante de tudo isso é que, mais do que realizar um desejo antigo, ganhei maior confiança em mim mesma.

    

quarta-feira, 23 de junho de 2021

Saudades de Portugal

 Saudades de Portugal

Do Douro que banha Porto e Gaia 

Com as uvas, o vinho e os barcos na catraia.
De Coimbra e os amores de Inês e Pedro
Com Santa Clara e a Faculdade banhados pelo Mondego.

Saudades de Portugal
De Lisboa do Bairro Alto, Mouraria e São Vicente
Com o fado da Amélia e o Mosteiro reverente.
Os pastéis de Belém e o grande Oceanário
O Chiado e o Rossio alimentando o nosso imaginário.

Saudades de Portugal
Da linda Fátima com sua árvore centenária
A santa Cova da Iria e a Capelinha doutrinária.
Saudades de Portugal
De Leiria o Castelo
Com sua vista para o que tem de mais belo.

Saudades de Portugal
Da Pampilhosa da Serra
Da Ramalheira e de toda aquela terra.
Saudades de Portugal
Portugal de minhas raízes
Portugal de meus amores
Portugal de alegrias
Portugal de mil sabores



terça-feira, 22 de junho de 2021

Minhas origens

Minha primeira viagem a Portugal foi em julho de 1998. Dessa vez, fui realmente desacompanhada. Passei 2 dias sozinha em Lisboa, visitando todos os endereços onde moraram meus avós e meus pais, nos tradicionais bairros Mouraria e Bairro Alto. Lembro-me de sentir muita emoção ao vislumbrar pela primeira vez o Miradouro de São Pedro de Alcântara, onde meu pai brincava com menos de 6 anos de idade, bem como o Hospital St. Louis, na Rua Luz Soriano, onde ele ia à catequese das freiras, com interesse em ganhar os rebuçados que elas davam ao fim das aulas (década de 20). Foi com grande sentimento afetivo também que caminhei pela Rua João do Outeiro e Rua da Mouraria, onde moraram meus pais, avós e tios. Se eu já era ligada à história da família, esta viagem reforçou essa ligação mais ainda. Fora isso, a cidade, com toda sua beleza, luz e história, conquistou meu coração!

Em 1998, acontecia em Lisboa a Expo 98, no Cais do Sodré, e tive a feliz oportunidade de visitar essa grande exposição, cujo tema era "Os Oceanos: um Patrimônio para o Futuro", em comemoração aos 500 anos dos descobrimentos. 

Aliás, lembro-me de uma gafe que cometi dentro do metrô, a caminho da Expo 98.  Encontrei um quiosque com a palavra “CORREIO” bem grande. Sem titubear, entrei no quiosque com um cartão postal que eu havia comprado para enviar aos meus pais no Brasil. Assim que pedi selos para o Brasil, a atendente me disse que ali não era correio, mas sim posto de anúncios para um jornal. Se já não bastasse o engano, ainda tive a pachorra de insistir, dizendo que eu havia lido a palavra “CORREIO” no quiosque. A atendente me explicou que aquele era o nome de um jornal, ou seja, “Correio da Manhã”. Lógico que, na minha ansiedade e distração habituais, eu não havia reparado nas palavras “da manhã” escritas logo abaixo de “CORREIO” no letreiro. Morta de vergonha, pedi desculpas e saí rumo ao metro. Até hoje, a atendente deve estar rindo.

Após esses dois dias em Lisboa, participei de uma excursão de 8 dias de norte a sul do país, pacote adquirido ainda no Brasil. Éramos 40 brasileiros, dentre eles uma moça que também viajava sozinha. Desta vez, optei por hospedar-me em quarto individual nas cidades por onde passamos: Albufeira, Faro, Coimbra, Évora, Guimarães, Braga, Porto, Viana do Castelo.

Após a excursão, voltei a Lisboa e fiquei 8 dias com meus tios e primos. Passei momentos maravilhosos conhecendo vários parentes, ouvindo histórias antigas e visitando a aldeia onde meus avós tinham casa e terras. Esse contato com os familiares garantiu-me amizades para toda a vida.

Conhecer a história, a arquitetura e a cultura portuguesa tão de perto fez-me sentir parte de um povo e amar minhas raízes.

Já voltei outras vezes a Portugal e, fora Lisboa, minha cidade favorita é Coimbra. Nas duas vezes em que estive na cidade universitária, viajei de comboio (trem) e hospedei-me sempre em hotéis próximos ao Rio Mondego. Meu pai gostava muito de Coimbra e contava muitas histórias. A mais impactante para mim sempre foi a do amor de Inês de Castro e Pedro I (se você não conhece a história, procure no Google e leia). Visitei a Quinta das Lágrimas e seus túmulos no Mosteiro de Alcobaça, locais que eternizam esse amor tão lindo! 
Nunca me canso de visitar a Sé Velha, o Penedo da Saudade, o Mosteiro de Santa Cruz, o parque Portugal dos Pequenitos, o Mosteiro de Santa Clara e a famosa Universidade. E fazê-lo sozinha possibilita-me permanecer o tempo necessário para sentir toda a energia e prestar atenção em cada detalhe de todos esses locais, no meu próprio ritmo. Esse é o benefício de se viajar sozinha.




segunda-feira, 21 de junho de 2021

Minha segunda viagem e segunda lição

Nas férias de julho de 1997, animada pela recente viagem à Disney, participei de uma excursão para as Serras Gaúchas. A agência que organizou a excursão fazia passeios para professores e gestores das escolas da cidade onde eu morava. Apesar de eu trabalhar em escola municipal, eu era nova no cargo e não conhecia ninguém. O desejo de visitar essa região do Rio Grande do Sul sempre foi grande, pois eu adorava frio e achava lindas as imagens que eu via na TV e em revistas.

Meus pais demonstraram muita preocupação com o fato da viagem ser de ônibus, devido aos perigos constantes na estrada BR-116, comumente chamada de Estrada da Morte. Eu lembro de sair de casa chateada porque meus pais ficaram muito apreensivos por eu ir sozinha e viajar a noite inteira. Para piorar a situação, chovia. Embora eu estivesse  triste por ter deixado meus pais tão preocupados, dormi grande parte da viagem. Ao chegarmos em Gramado, o sol da manhã brilhava. Prenúncio de lindos dias pela frente.

Por estar só, dividi o quarto com outras 2 mulheres que também viajavam sozinhas. Fiquei surpresa em saber que eu não era a única. Foi aí que percebi que viajar sozinha era mais comum do que eu imaginava.
Agora é que vem a minha segunda lição aprendida: procurar não dividir quarto com quem você não conhece, nem que para isso tenha de pagar um valor extra - lógico, se você tiver condições de fazê-lo.
Cito isso porque uma das colegas de quarto fumava. E muito! Com o frio do sul, a janela não podia ser aberta e houve alguns momentos de estresse por causa disso. Quando ela queria fumar dentro do quarto, nós reclamávamos. Então, ela ia, resmungando, para a varanda ou para o lobby do hotel. Ainda bem que, atualmente, as leis não permitem mais fumar dentro dos quartos de hotel!

Fora isso, a excursão foi só de alegrias. Passamos 8 dias passeando pelas cidades de Gramado, Canela, Bento Gonçalves, Nova Petrópolis e Caxias do Sul. Fizemos refeições típicas em autêntica churrascaria gaúcha, restaurante de fondue e casa de café colonial. Passeamos na Maria Fumaça, visitamos museus e nos esbaldamos nas lojas de chocolate e nas vinícolas. No retorno, almoçamos e fizemos um tour em Curitiba.  
Com essa experiência, fui definitivamente cativada pelo prazer de viajar.

Aniversários entre comemorações e viagens

Eu não fui criada valorizando aniversários. Para minha família, era um dia comum como qualquer outro. Não culpo ninguém, pois isso era refle...