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segunda-feira, 8 de maio de 2023

VIAGENS E LEMBRANÇAS

 

Sempre fui saudosista e, volta e meia, revivo o passado, em especial aquele que não conheci.

O romantismo e a elegância das décadas de 20, 30 ou 40 estiveram em meus devaneios na juventude.

Jazz, bossa nova, rockabilly e as canções de Elvis Presley e The Beatles embalaram meus sonhos infantis e adolescentes.

As histórias que cresci a ouvir de meus pais, sobre a vida em Portugal e em Moçambique durante sua juventude, faziam-me viajar no tempo. Por incrível que pareça, muitas vezes eu achava que podia sentir o aroma dos pinheiros na aldeia portuguesa, ouvir os pregões das varinas pelas ladeiras do bairro alto ou apreciar o sabor do caril que os indianos cozinhavam em Moçambique.

Muitos livros que li também contribuíram para essa estranha sensação de sentir falta do passado, tais como “Meu Pé de Laranja Lima”, “A Viuvinha”, “Ana Terra”, “Éramos Seis”, dentre outros.

Com a maturidade, pensei que eu ficaria mais pé no chão. Mas, não. Continuo sentindo saudades de tudo aquilo, com o agravamento de que, agora, sinto falta também do passado vivido, das brincadeiras de criança, das músicas da juventude, dos meus amados pais e dos lugares que conheci.

Lembranças sempre levam-me a algum lugar, a alguém ou a algum momento especial, vivenciado ou não. Acho que é por isso que história era a minha matéria favorita na escola. É por isso, também, que adoro assistir a filmes baseados em fatos reais e visitar museus, cidades antigas e locais históricos. Viajar não poderia ser diferente.

Na Europa, fico tão embevecida, pois a arquitetura das cidades é um verdadeiro museu à céu aberto! Naquele continente, não consigo decidir qual cidade visitada, grande ou pequena, me extasiou mais, se Paris, Coimbra ou Verona.

Em Assis, senti saudades de Francisco caminhando pelas ruelas, pregando aos passarinhos e arrebatando outros jovens.

Em Lisboa, senti saudades da infância de meus pais ao visitar o Miradouro de São Pedro de Alcântara, onde eles brincavam na década de 20.

Em Paris, senti saudades de Ernest Hemingway escrevendo seus romances ao almoçar no Café Les Deux Magots.

Em Coimbra, enquanto lanchava no Café Santa Cruz, ao lado da Igreja de mesmo nome, senti saudades de meu pai quando levou minha irmã para comer lá, nos anos 60.

Eu teria muito mais saudades a descrever nas poucas viagens, segundo eu, que fiz à Europa.

Para mim, visitar o Velho Continente não é turismo, mas sim conhecimento e oportunidade de vivenciar a história pessoal e mundial.

Mesmo no Novo Mundo, no Continente Americano, encontrei joias da história, ao visitar as cidades de Minas Gerais, as fazendas de colonização italiana, no Rio Grande do Sul, o centro do Rio de Janeiro, o roteiro do Fim do Mundo, em Ushuaia, e as ruínas de Teotihuacan, no México, só para citar alguns.

Nos EUA, conheci riquezas memoráveis, como o centro antigo da cidade de Albuquerque, no Novo México, e os subterrâneos de Seattle, que são as ruas originais da época de sua colonização, até o grande incêndio de 1889.

Continuo sentindo saudades do passado, vivenciado ou não. E são essas saudades que me movem para o futuro. Eu vivo o presente da melhor maneira possível, para que no futuro eu continue a ter possibilidades de viajar mais para matar as saudades que ainda sinto do passado.








quarta-feira, 15 de setembro de 2021

MOTIVOS PARA VIAJAR SOZINHA

    Comecei a viajar sozinha quando voltei a ser solteira, após um curto e conturbado casamento. Inicialmente, participei de excursões dividindo quarto com pessoas desconhecidas. Depois, passei a me hospedar sozinha e a fazer meu próprio roteiro. Foi a partir dessas experiências de liberdade com privacidade que comecei a adorar viajar sozinha. 
    Em uma viagem com grupo de amigos à Itália, maravilhosa por sinal, dentre algumas situações estressantes por causa de discussões relativas ao roteiro, duas em especial me convenceram de que, muitas vezes, viajar sozinha é melhor do que em grupo. No primeiro dia à chegada em Milão, metade do grupo de 25 pessoas ficou para trás na conexão em Lisboa por causa das imensas filas na Imigração (eu fazia parte desse grupo) e perdeu o voo. Tivemos de esperar nos colocarem em outro avião, que fez conexão em Madrid. Chegamos em Milão à noite e o grupo que havia chegado primeiro já tinha feito os passeios que constavam do roteiro. No dia seguinte, antes de seguirmos para Pádua, conforme o itinerário, a guia sugeriu que fizéssemos um tour por Milão para que nós, que havíamos sido prejudicados, não ficássemos sem conhecer um pouco da cidade. A maior parte do outro grupo não concordou, dizendo que íamos perder tempo e que não podiam sacrificar a programação por causa de nós. Depois de muita discussão, cedemos, seguimos em frente e não conhecemos Milão. 
    Outra ocasião muito estressante foi quando fui à Capela Sistina com mais três colegas e, poucos minutos após entrarmos, elas quiseram ir embora pois já tinham visto o suficiente. Eu queria ficar mais um pouco e observar os detalhes da pintura, mas como estávamos juntas, não pude. Aí, pensei: "tanto dinheiro investido numa viagem para não aproveitar como eu desejava!".
      Sendo assim, elenco abaixo bons motivos para  viajar sozinha:

    1. Autoconhecimento - com mais tempo sozinha, você passa a se conhecer mais.
    2. Liberdade - você faz o seu roteiro e fica o tempo que quiser em cada lugar.
    3. Privacidade - direito de ficar à vontade e respeitar seus gostos e preferências.
    4. Superação - você tem a possibilidade de superar medos e inseguranças.
    5. Novas amizades - sozinha, você tem mais oportunidade de conhecer outras pessoas.
    6. Flexibilidade - se uma programação não agrada mais, você pode alterá-la como e quando quiser.
   7. Observação - quando você está sozinha, tende a prestar mais atenção a detalhes que poderiam passar desapercebidos se estivesse conversando com outras pessoas.
    8. Realização pessoal - a alegria de chegar em casa sã e salva após aventurar-se sozinha por novos lugares é muito gratificante.
    9. Aprendizado - você aprende muito ao ter de resolver situações que normalmente seriam resolvidas por outra pessoa.
    10. Confiança - você adquire mais autoconfiança e melhoria na autoestima.

Viajar em família é muito bom, viajar com amigos é muito bom, mas viajar sozinha também é muito bom. E um tipo de viagem não exclui o outro. 
Se você sonha em conhecer um destino e mais ninguém tem vontade de ir, programe-se, pesquise, elabore seu roteiro, faça as malas e vá! Aposto que será uma viagem inesquecível!





segunda-feira, 21 de junho de 2021

Minha segunda viagem e segunda lição

Nas férias de julho de 1997, animada pela recente viagem à Disney, participei de uma excursão para as Serras Gaúchas. A agência que organizou a excursão fazia passeios para professores e gestores das escolas da cidade onde eu morava. Apesar de eu trabalhar em escola municipal, eu era nova no cargo e não conhecia ninguém. O desejo de visitar essa região do Rio Grande do Sul sempre foi grande, pois eu adorava frio e achava lindas as imagens que eu via na TV e em revistas.

Meus pais demonstraram muita preocupação com o fato da viagem ser de ônibus, devido aos perigos constantes na estrada BR-116, comumente chamada de Estrada da Morte. Eu lembro de sair de casa chateada porque meus pais ficaram muito apreensivos por eu ir sozinha e viajar a noite inteira. Para piorar a situação, chovia. Embora eu estivesse  triste por ter deixado meus pais tão preocupados, dormi grande parte da viagem. Ao chegarmos em Gramado, o sol da manhã brilhava. Prenúncio de lindos dias pela frente.

Por estar só, dividi o quarto com outras 2 mulheres que também viajavam sozinhas. Fiquei surpresa em saber que eu não era a única. Foi aí que percebi que viajar sozinha era mais comum do que eu imaginava.
Agora é que vem a minha segunda lição aprendida: procurar não dividir quarto com quem você não conhece, nem que para isso tenha de pagar um valor extra - lógico, se você tiver condições de fazê-lo.
Cito isso porque uma das colegas de quarto fumava. E muito! Com o frio do sul, a janela não podia ser aberta e houve alguns momentos de estresse por causa disso. Quando ela queria fumar dentro do quarto, nós reclamávamos. Então, ela ia, resmungando, para a varanda ou para o lobby do hotel. Ainda bem que, atualmente, as leis não permitem mais fumar dentro dos quartos de hotel!

Fora isso, a excursão foi só de alegrias. Passamos 8 dias passeando pelas cidades de Gramado, Canela, Bento Gonçalves, Nova Petrópolis e Caxias do Sul. Fizemos refeições típicas em autêntica churrascaria gaúcha, restaurante de fondue e casa de café colonial. Passeamos na Maria Fumaça, visitamos museus e nos esbaldamos nas lojas de chocolate e nas vinícolas. No retorno, almoçamos e fizemos um tour em Curitiba.  
Com essa experiência, fui definitivamente cativada pelo prazer de viajar.

segunda-feira, 14 de junho de 2021

Minha primeira viagem e primeira lição

Desde pequena, desejei ser independente. Viajar para outras cidades e países sempre esteve em meus planos futuros.

Aos 28 anos, após um casamento frustrado, divorciei-me e senti o desejo de alçar novos voos. Então, em 1996, vi uma propaganda da Disney em uma agência de turismo perto de minha casa, em Santos. Na época da faculdade, eu e mais três amigas falávamos sempre em visitar os parques de Orlando. Entrei em contato com elas, mas nenhuma tinha disponibilidade para acompanhar-me. Como eu havia acabado de ingressar no magistério público, decidi dar essa viagem de presente para mim mesma. 

Embarquei em janeiro de 1997 para Miami e Orlando com mais 40 pessoas, a maioria adolescentes. Mesmo não estando totalmente sozinha, era a primeira vez que eu ia para fora do Brasil com pessoas desconhecidas. Dividi quarto com outras 3 meninas, visitamos a Disney, Universal Studios e Epcot, fomos ao Busch Gardens, em Tampa, fizemos compras, jantamos no Medieval Times, enfim, nos divertimos à beça. 

Como foi minha primeira viagem ao exterior e fiquei deslumbrada com as lojas, gastei um pouco mais do que eu havia levado. Na época, eu não tinha cartão de crédito, portanto, pedi um empréstimo ao meu pai. A agência me repassou os dólares que meu pai, de Santos, havia enviado. 
Sendo assim, a primeira lição que eu aprendi foi: sempre controlar as finanças para que o dinheiro não falte.

Senti-me rejuvenescida. Aquela viagem foi um divisor de águas para mim, pois percebi que eu poderia conhecer o lugar que eu quisesse. Bastava me programar.


Passear e viajar sozinha pode ser uma excelente oportunidade de autoconhecimento, liberdade e descobertas.

Bem-vindo! 

Este espaço é dirigido principalmente às mulheres que têm vontade de viajar, mas não têm coragem para fazê-lo sozinha. 

A falta de companhia para sair ocorre por diversos motivos: separação, divórcio ou viuvez, filhos crescidos, amigos que não têm a mesma  disponibilidade ou vontade para viajar, entre outras coisas.
Quando ficamos em casa, esperando sempre por alguém para dar um passeio ou fazer aquela viagem dos sonhos, assumimos um estado de dependência do outro que só nos limita. O tempo vai passando e nós ficamos cada vez mais frustrados. A vida passa e sentimos que não a aproveitamos.

Com este blog e minhas experiências narradas aqui, espero ajudá-la a criar coragem para sair, divertir-se, realizar seus sonhos e viajar sem depender de ninguém.

Aventurar-se por este mundo sozinha pode ser uma excelente oportunidade de autoconhecimento, liberdade e descobertas. Vem comigo!

Aniversários entre comemorações e viagens

Eu não fui criada valorizando aniversários. Para minha família, era um dia comum como qualquer outro. Não culpo ninguém, pois isso era refle...