segunda-feira, 25 de maio de 2026

Aniversários entre comemorações e viagens

Eu não fui criada valorizando aniversários. Para minha família, era um dia comum como qualquer outro. Não culpo ninguém, pois isso era reflexo da criação que tiveram lá no interior de Portugal, em que a pobreza e a luta pela  sobrevivência é que eram mais importantes do que comemorar o dia do nascimento de alguém. Sendo assim, eu cresci com sentimentos confusos sobre fazer aniversário. Até mesmo constrangida eu ficava quando outras pessoas queriam cantar parabéns para mim. Sei lá. Talvez fosse assunto para terapia?

De uns anos para cá, passei a refletir sobre esses sentimentos e a desejar passar meus aniversários fazendo o que mais gosto: viajando sozinha. Sim, se viajar é o que mais gosto de fazer e comemorar aniversário não me encanta, por que não vivenciar essa data em lugares diferentes?

Neste momento, não me recordo com detalhes de todos os aniversários que eu passei, mas os dos últimos anos, sim. Em um ano, comemorei no exterior com a família da minha sobrinha, em outro, com os pinguins na Patagônia Argentina, e, no ano passado, na praia cantada pelo poeta Vinícius, a de Itapuã. 

Após completar 50 anos, um marco na vida de todos - meio século de vida!- decidi que sempre passaria o aniversário de forma diferente. Ter novas experiências tornou-se meu mantra e uma necessidade em prol da minha saúde mental.

Foi às 22h do dia 17 de outubro de 1968, o ano que não terminou (lembra do livro de  Zuenir Ventura?), que vim ao mundo, numa maternidade da zona leste - ou seria norte? -  de São Paulo. E foi justamente na cidade de pedra, que já  foi da garoa e que nunca dorme, que decidi comemorar a chegada dos 56 anos, em 2024.

Não viajei para longe, mas passar o dia na minha cidade natal teve um significado especial. De manhã, fui ao Parque do Ibirapuera (quer lugar mais paulistano?) e visitei a exposição interativa do tema que mais desperta meu lado lúdico: o mundo mágico de Harry Potter. À tarde, curti minhas amadas irmã e sobrinha, que toparam  minha loucura de almoçar num restaurante temático de HP (sim, de novo).  À noite, fui sozinha - afinal vivo só e plena - num Music Bar assistir a uma banda que homenageou John Lennon, libriano como eu. Finalizar a noite do dia 17 (nasci às 22h, não esqueça) ouvindo músicas do John Lennon fechou com chave de ouro estas 56 primaveras.

Ah, esqueci de registrar nestas linhas que as comemorações começaram 2 dias antes, no show de Paul McCartney,  que é meu Beatle e cantor favorito desde minha infância.

Desde que comecei a viajar ou ter novas experiências por ocasião do meu aniversário, essa data tomou outra proporção. Não me sinto mais constrangida, mas grata pelos anos vividos e esperançosa pelos que ainda virão.

Agora, tenho 1 ano para planejar meu próximo aniversário, que será em algum lugar diferente, com certeza.  Cheers!!!







segunda-feira, 8 de julho de 2024

Há vida produtiva depois dos 50. Concorda?

  

     Uma viajante com mais de 60 anos, dona da página do Instagram @coroamochileira, teve sua hospedagem negada num Hostel em Bruxelas, por não aceitarem pessoas com mais de 40 anos. Isso pode ser considerado etarismo ou somente a política interna da empresa? 

    Uma matéria do jornal A Folha de São Paulo explana os preconceitos enfrentados por mulheres com mais de 50 anos ao se divorciarem, voltarem a estudar ou procurarem uma nova colocação no mercado de trabalho. 

    São aceitáveis esses tipos de ocorrências em pleno século XXI, com tanto progresso tecnológico, social e de costumes?

    Na contramão desses eventos, a Forbes divulgou em 2023 uma lista de 200 mulheres com mais de 50 anos que manifestaram iniciativa, liderança, poder e influência nas categorias inovação, impacto, investimento e estilo de vida. Essa edição destacou que quase metade dessas mulheres fundou ou investiu em negócio próprio.

    Esse tipo de informação demonstra que, depois dos 50 anos, podemos, sim, estar em ótima forma e produtivas. 

    Ao completar 50 anos, refleti muito sobre como eu havia vivido até então e como desejaria viver a partir daí. Eu estava com meio século e não sabia quantas décadas mais eu teria pela frente. Dez, vinte ou cinquenta? Mesmo que vivesse mais cinquenta anos, seria com qualidade? Com saúde e boas realizações? Ou somente sobreviveria, com limitações e sonhos nunca realizados?  Assim sendo, decidi que, a cada ano seguinte,  eu iria vivenciar alguma experiência nova, ou conhecer um lugar novo. Esse foi um pacto feito comigo mesma.

    Comemorar 50 anos foi um marco em minha vida. Algo dentro de mim despertou para que eu buscasse viver mais intensamente cada ano seguinte. Hoje, aos 55, posso dizer que me mantenho firme nesse propósito. De lá para cá, conheci lugares novos no Brasil e no exterior, fiz uma tatuagem (gostei e já quero fazer outra), passei a ler livros de autoajuda (leitura que nunca havia me interessado), fiz reeducação alimentar, emagreci mais de 18kg e comecei a praticar musculação. Até show de stand-up comedy fui assistir, modalidade artística que passei a gostar muito recentemente. E é assim que tenho procurado viver desde aquele aniversário de 50, sempre procurando novidades. Logo, logo, uma grande decisão que tomei recentemente está prestes a mudar meu presente e meu futuro. Em breve, contarei mais aqui.

    Neste blog, além de explorar minhas experiências em viagens solo, acho importante também refletir sobre questões da vida de uma mulher com mais de 50 anos; suas dores, alegrias, desafios e conquistas.

    Quanto mais pessoas ponderarem sobre esse assunto tão atual, situações indesejáveis como ser impedida de se hospedar em um hostel ou dificuldades para iniciar um novo relacionamento ou carreira aos 50 ou mais acontecerão com cada vez menos frequência. Afinal, não é esta a sociedade que queremos? Com vida plena para todos?

      Comente. Dê sua opinião.


Fontes citadas no artigo: 

https://www1.folha.uol.com.br/equilibrio/2024/05/mulheres-com-mais-de-50-anos-enfrentam-preconceitos-por-se-divorciarem-ou-por-voltarem-a-estudar.shtml 

https://forbes.com.br/forbes-mulher/2023/08/50-over-50-200-mulheres-50-mostram-que-maturidade-e-um-superpoder/ 



quinta-feira, 16 de maio de 2024

A 13 de maio

 




A 13 de maio saudades senti

Da mãe carinhosa que deu-me a vida.

Tão devotada era à Virgem Maria

Meu nome escolhido em louvor à Rainha.

Ave, ave, ave Maria!

Ave, ave, ave Maria!


Maria de Fátima meu nome é tal

Ao daquela que é a Santa Mãe de Portugal.

"Não há nome mais lindo" - minha mãe repetia

Assim como a Virgem da Cova da Iria.

Ave, ave, ave Maria!

Ave, ave, ave Maria!


Sempre quando eu volto ao país de meus pais

Nunca deixo de ir àquele lugar de paz.

A cada 13 de maio, com o coração apertado

Recordo a saudosa mãe e aquele chão tão sagrado.

Ave, ave, ave Maria!

Ave, ave, ave Maria!




quarta-feira, 25 de outubro de 2023

O ABC DE SALVADOR

 


Axé!


Bahia de todos os santos

Caetano canta seus encantos


Dona de um clima quente que o corpo aquece

Enobrece


Faróis a avistar

Grandeza à beira-mar

História viva a testemunhar


Itapuã dos poetas e cantores

Jorge Amado e Castro Alves, com textos sedutores


Luz do luar é mais límpida

Mística


Natureza tropical

Ó pai, ó

Povo musical


Quitutes, como cocada, acarajé e abará

Referência gastronômica melhor não há

Satisfação de aroma e paladar 


Timbalada, ritmo que embala dos baianos a lida

Urbanidade cantante na religião e na vida 

Vibra


Xodó do Nordeste

Zelo de um povo, do litoral ao Agreste.









domingo, 8 de outubro de 2023

40 ANOS DEPOIS, A REALIZAÇÃO DE UM SONHO ADOLESCENTE

 


Anos 80! Vivi minha adolescência com intensidade nessa década frenética, em que o rock brasileiro atingiu seu auge de criatividade, lançando músicas e cantores que se eternizaram. Naquela época, eu sonhava em visitar o Rio de Janeiro e assistir ao vivo  cantores e bandas do rock brasileiro, como RPM,  Paralamas do Sucesso, Titãs, Legião Urbana e Barão Vermelho. Uma delas, em especial, é o objeto deste meu texto. 

O ano era 1982 ou 1983, não me lembro ao certo. O que me lembro bem é que eu e minha colega de escola da 8ª série, Magda Roberta, éramos apaixonadas pela banda Blitz e pelo Evandro Mesquita, vocalista. Ouvíamos e cantávamos todas as músicas em várias tardes na casa dela. Até hoje, mais de 40 anos depois, sei de cor a maioria das canções. Um belo dia, veio a notícia de que a banda viria a se apresentar em Santos, no Clube Sírio Libanês, no bairro do Gonzaga. A mãe da minha amiga ia levá-la e convidou-me para ir junto. Desnecessário falar que meu pai não deixou, né? Imagina, eu, com 14 anos, indo a um show de rock tarde da noite. Eu tinha autorização para passear e chegar só até 20h em casa. Implorei, mas nada adiantou. Para piorar a situação, minha amiga pediu-me para ir com ela, numa tarde, comprar os ingressos, e eu fui. Lógico que adormeci chorando naquela noite. Ah, as dores da adolescência! 

O ano, agora, é 2023. Quatro décadas depois do acontecido. Enquanto navegava pelo Instagram, deparei-me com o anúncio do ano para mim: um show das bandas Blitz e Barão Vermelho no Morro da Urca, no Rio de Janeiro. A lembrança daquele fato ocorrido 40 anos atrás logo surgiu em meu pensamento e eu quis sanar essa questão mal resolvida. Decidi ir ao show.. Eu já havia visitado a Cidade Maravilhosa em outras ocasiões, mas desta vez eu iria vivenciar algo que estava em minhas memórias da adolescência: um show da Blitz e, por conseguinte, do Barão Vermelho, no Rio de Janeiro. Para melhorar, no Morro da Urca, um ponto turístico emblemático da cidade. Eu não poderia ansiar nada melhor!

No Rio, sempre me hospedo em Copacabana que, para mim, é um excelente custo-benefício. Para ir ao Pão de Açúcar, bastava pegar um táxi à porta do hotel. Porém, eu estava preocupada com a volta, alta da madrugada. Conversando com vários moradores da cidade, todos foram unânimes em me dizer que, como o show iria até à madrugada, seria fácil conseguir táxi para voltar, mesmo em meio à multidão que estaria saindo ao mesmo tempo. Confiei e fui! Dentro de mim, a intuição dizia também que seria tranquilo o retorno.  Mesmo porque não seria tão longe assim.

Com roupa confortável,  jeans, blusa, tênis nos pés e bolsinha pequena a tiracolo, lá fui eu por volta das 22h30 para o Morro da Urca. Eu já havia visitado o Pão de Açúcar de dia. De noite a vista também é muito bonita, mas confesso que, durante o dia, o panorama é mais exuberante.

O show da Blitz iniciou pouco depois das 23h30 e foi emocionante cantar “Você não Soube me Amar”, “A Dois Passos do Paraíso” e “Weekend”. Enquanto ouvia Evandro Mesquita, lembrei-me daquela garota que, além de amar os Beatles e os Rolling Stones, também amava a Blitz, e chorou muito por não tê-la assistido naquela noite dos anos 80. Porém, refleti que nada acontece por acaso, que houve motivos para eu não ter ido àquele show, que meus pais tinham medo - compreensível - da violência, que eles não tinham o costume de ir a espetáculos musicais, que eu era muito nova para ir a um show. Ali, embevecida com as músicas que embalaram minha juventude, refleti tudo isso. E agradeci por, neste momento, eu ter tido a possibilidade de estar ali, mais madura, a assistir a essa banda consagrada, naquele que era o local correto e o momento certo para usufruir de tudo o que ela representava para mim!

No intervalo entre os shows, comprei como lembrança um copo temático a R$10,00, pois eu precisava de uma recordação desta noite especial. Acabei consumindo só uma garrafa de água mineral, mas havia lanches, cerveja e refrigerantes à venda no espaço externo. 

Barão Vermelho, mesmo sem Cazuza e Frejat, continua eletrizando a plateia, com clássicos como “Pro Dia Nascer Feliz”, “Exagerado” e “Maior Abandonado”. Por fim, assim como a maior parte do público, ouvi, de forma reverente, a linda canção “Codinome Beija-flor”.

Os shows foram ótimos, mas o local estava superlotado, com muitas pessoas assistindo por um telão do lado de fora. Eu mesma fiquei em pé próximo às portas de saída, com receio de algum tipo de acidente, pois era impossível alguém se locomover sem causar um pouco de empurra-empurra. Muitos comentavam que parecia que havia mais pessoas do que o local comportava. 

Saí antes do show terminar, para aproveitar que a fila do bondinho ainda não estava tão grande. Lá embaixo, comprovei o que tinham me falado sobre a facilidade de ir embora. Além de estar cheio de gente na rua comendo nos vários carrinhos de bebidas e lanches, havia muitos táxis enfileirados. Peguei um deles, que me cobrou um preço fixo de R$30,00. Aceitei, pois eu não tinha outra alternativa. A diferença não foi tanta assim, pois eu havia pago por volta de R$20,00 na ida.

Não me senti insegura em momento algum. O entorno do Morro da Urca estava bem policiado e não vi nenhuma movimentação suspeita. Cheguei ao hotel mais de 3h30 da madrugada, com o coração repleto de gratidão por este show que me fez reviver a intensidade com que vivi os emblemáticos anos 80!











domingo, 10 de setembro de 2023

CONFORTO QUENTE NUMA NOITE GELADA






A noite caía rapidamente. Vivian descia a rua escura e gelada. Só mais duas quadras e chegaria ao ponto de ônibus. Hoje, o trabalho tinha sido estafante, com muitas cartas e enormes memorandos para escrever e despachar. 

Pelo caminho, lembrou-se dele, de seu cheiro inebriante, seu calor aconchegante e do efeito que sua presença fazia em seu corpo.

Sem titubear, ela virou a esquina e decidiu ir visitá-lo. Não precisava avisá-lo de sua chegada.

Bastava, simplesmente, aparecer para desfrutar de sua paixão, como sempre o fizera.

Melhor decisão não poderia haver neste início de noite invernal.

À porta, não necessitava de campainha. Era só entrar, como de costume, pois ele estaria sempre disponível, tamanha intimidade havia entre eles.

Acomodada em sua poltrona habitual, enquanto o aguardava, Vivian recordava os cálidos

momentos que havia vivido ali, em meio aos conhecidos móveis de madeira escura.

O aroma inebriante pairava no ambiente, antecipando a chegada esperada.

Os sentidos de Vivian, alertas, na expectativa do encontro tão desejado, que daria fim

ao frio que sentia.

E eis que ele aparece encorpado, negro, fumegante: o café especial da cafeteria mais charmosa de Santos, a do Museu do Café.




domingo, 28 de maio de 2023

DESFECHO DE UMA NOITE CHUVOSA

 

Já de noite, a caminho de casa, admiro a noite pela janela do táxi. Amo noites chuvosas e a luz refletida nas poças d’água. É um misto de nostalgia e charme. As noites chuvosas de inverno me relaxam muito. Adoro adormecer ao som das gotas de chuva no vidro da janela. Isso é o que chamo de paz!

Saio do carro correndo para tentar me molhar o menos possível. Subo as escadas do prédio e, no alpendre, fico à procura da chave do apartamento. Por que nunca a pego antes de sair do carro? Todos os dias gasto uns 5 min à sua procura dentro do caos que é minha bolsa. A chuva e o cansaço apertam e eu descubro que estou sem as chaves. Toco o interfone, torcendo para Jorge, meu namorado estar em casa. Ninguém atende. Só me resta sentar à espera que ele ou algum vizinho chegue.

Ao encostar na porta, descubro que está destrancada. No corredor, vejo meu apartamento aberto. Finalmente, entro em casa, ansiosa por um banho quente e uma caneca de chá. Porém, algo está errado. A casa está às escuras. Entro e logo chamo o Jorge. Nada. Acendo as luzes e nada, também. Só me faltava essa, sem luz para meu banho quente. Ligo a lanterna do celular e vou até o quarto. Às escuras. O banheiro, idem. A cozinha está com a porta da varanda entreaberta. Vou até o lado de fora ver se, de repente, ele saiu para levar o lixo ao contentor. No exterior, só a chuva e o uivo do vento. De repente, sinto um arrepio na espinha, de que algo está errado. Apalpo a bancada da cozinha em busca da faca de carne no suporte e ela não está. Fico parada, com os olhos tentando me adaptar à escuridão do ambiente, enquanto meu corpo treme de medo. Sim, há algo de muito estranho acontecendo. Tem alguém no apartamento. Alguém que pode ter machucado ou matado meu namorado e que está escondido em algum lugar esperando só o momento de me atacar.

Nas pontas dos pés, vou até a porta da saída na esperança de fugir. Neste instante, sinto alguém batendo fortemente em minha cabeça e desmaio.

Acordo, deitada na banheira com o chuveiro pingando água fria em minhas pernas. Sinto frio! A cabeça dói. Que tipo de tortura é essa?

Ao sentir tocarem em minha cabeça, abro os olhos e grito, assustada. É Jorge, todo preocupado vestindo um roupão, me levantando do chão. Ele não tinha aberto a porta porque estava no banho. No fim, tudo não passou de um sonho ao adormecer, cansada, encostada à porta do prédio. Não era bem esse o desfecho que eu esperava para esta noite.


quarta-feira, 10 de maio de 2023

RITA LEE

 


Muitas vezes, senti-me a OVELHA NEGRA da família. Às vezes, porém, eu não me sentia pertencente a este mundo e suspirava ALÔ! ALÔ! MARCIANO! Quem nunca desejou parar o mundo e descer? Acreditar que DIAS MELHORES VIRÃO?

Minha vida toda foi tanto CORRE, CORRE, repleta de FLAGRA por todo lado!

Na juventude, sempre dúvidas entre AMOR E SEXO, querendo um CASO SÉRIO e alguém para dizer AGORA SÓ FALTA VOCÊ. Também não seria nada mal se acontecesse de aparecer um DOCE VAMPIRO.

Com a maturidade, constantemente sinto-me um MUTANTE e o que mais faço é falar para a vida: BAILA COMIGO! Sim, porque ESSE TAL DE ROQUE ENROW deixa os dias animados e estressantes ao mesmo tempo. Eu sei que viver PERTO DO FOGO é perigoso, mas o que fazer, se gosto é de DANÇAR PRA NÃO DANÇAR?

Pois é….. tenho vontade é de falar para TODAS AS MULHERES DO MUNDO: DESCULPE O AUÊ e REZA. Porque o que importa não é AMBIÇÃO. Não é NEM LUXO NEM LIXO. O que importa, na verdade, é SAÚDE e FELICIDADE.


09/05/2023

Minha homenagem à eterna rainha do rock brasileiro, que tanto admirei desde a infância. 

Nascimento: São Paulo, 31 de dezembro de 1947

Falecimento: São Paulo, 08 de maio de 2023

segunda-feira, 8 de maio de 2023

VIAGENS E LEMBRANÇAS

 

Sempre fui saudosista e, volta e meia, revivo o passado, em especial aquele que não conheci.

O romantismo e a elegância das décadas de 20, 30 ou 40 estiveram em meus devaneios na juventude.

Jazz, bossa nova, rockabilly e as canções de Elvis Presley e The Beatles embalaram meus sonhos infantis e adolescentes.

As histórias que cresci a ouvir de meus pais, sobre a vida em Portugal e em Moçambique durante sua juventude, faziam-me viajar no tempo. Por incrível que pareça, muitas vezes eu achava que podia sentir o aroma dos pinheiros na aldeia portuguesa, ouvir os pregões das varinas pelas ladeiras do bairro alto ou apreciar o sabor do caril que os indianos cozinhavam em Moçambique.

Muitos livros que li também contribuíram para essa estranha sensação de sentir falta do passado, tais como “Meu Pé de Laranja Lima”, “A Viuvinha”, “Ana Terra”, “Éramos Seis”, dentre outros.

Com a maturidade, pensei que eu ficaria mais pé no chão. Mas, não. Continuo sentindo saudades de tudo aquilo, com o agravamento de que, agora, sinto falta também do passado vivido, das brincadeiras de criança, das músicas da juventude, dos meus amados pais e dos lugares que conheci.

Lembranças sempre levam-me a algum lugar, a alguém ou a algum momento especial, vivenciado ou não. Acho que é por isso que história era a minha matéria favorita na escola. É por isso, também, que adoro assistir a filmes baseados em fatos reais e visitar museus, cidades antigas e locais históricos. Viajar não poderia ser diferente.

Na Europa, fico tão embevecida, pois a arquitetura das cidades é um verdadeiro museu à céu aberto! Naquele continente, não consigo decidir qual cidade visitada, grande ou pequena, me extasiou mais, se Paris, Coimbra ou Verona.

Em Assis, senti saudades de Francisco caminhando pelas ruelas, pregando aos passarinhos e arrebatando outros jovens.

Em Lisboa, senti saudades da infância de meus pais ao visitar o Miradouro de São Pedro de Alcântara, onde eles brincavam na década de 20.

Em Paris, senti saudades de Ernest Hemingway escrevendo seus romances ao almoçar no Café Les Deux Magots.

Em Coimbra, enquanto lanchava no Café Santa Cruz, ao lado da Igreja de mesmo nome, senti saudades de meu pai quando levou minha irmã para comer lá, nos anos 60.

Eu teria muito mais saudades a descrever nas poucas viagens, segundo eu, que fiz à Europa.

Para mim, visitar o Velho Continente não é turismo, mas sim conhecimento e oportunidade de vivenciar a história pessoal e mundial.

Mesmo no Novo Mundo, no Continente Americano, encontrei joias da história, ao visitar as cidades de Minas Gerais, as fazendas de colonização italiana, no Rio Grande do Sul, o centro do Rio de Janeiro, o roteiro do Fim do Mundo, em Ushuaia, e as ruínas de Teotihuacan, no México, só para citar alguns.

Nos EUA, conheci riquezas memoráveis, como o centro antigo da cidade de Albuquerque, no Novo México, e os subterrâneos de Seattle, que são as ruas originais da época de sua colonização, até o grande incêndio de 1889.

Continuo sentindo saudades do passado, vivenciado ou não. E são essas saudades que me movem para o futuro. Eu vivo o presente da melhor maneira possível, para que no futuro eu continue a ter possibilidades de viajar mais para matar as saudades que ainda sinto do passado.








quarta-feira, 3 de maio de 2023

O crescimento do número de mulheres que viajam sozinhas

     


    Cada vez mais a mulher está se posicionando como líder na sociedade e conquistando seu espaço. Nos últimos anos, o perfil familiar do brasileiro mudou, quando 9 milhões de mulheres passaram a exercer a função de chefe de família no país. No mesmo período, 661 mil homens perderam essa função. É o que mostra a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Ainda segundo o Instituto, mostra-se uma tendência geral de aumento da escolaridade das mulheres em relação aos homens. Estes, com 25 anos ou mais, 15,1% têm ensino superior completo. Já entre as mulheres com 25 anos ou mais, 19,4% completaram o ensino superior. Apesar destas conquistas, os salários das mulheres são menores dos que os dos homens e elas dedicam mais tempo aos afazeres domésticos do que eles. Esse excesso de responsabilidades e tarefas causa muito estresse e, consequentemente, doenças.

Tanta independência não necessariamente se dá também no campo do lazer. Muitas vezes, amigas, do marido ou dos filhos para dirigir, passear ou mesmo viajar não imagina ser capaz de ter momentos de lazer desacompanhada. Esse estado de dependência, de alguma maneira, limita a realização dos sonhos. Quando a vida apresenta situações imprevistas, como divórcio, viuvez ou a saída dos filhos de casa, essa dependência torna-se ainda mais aparente. Sozinhas, muitas mulheres não têm coragem de ir a um shopping, frequentar restaurantes ou mesmo viajar. Aí, vem a frustração ao ver a vida passar e não aproveitá-la. 

Reinventar-se, dar asas aos sonhos, muitas vezes acalentados durante anos, e criar coragem para viajar sozinha pode ser uma excelente oportunidade para descobrir novos mundos, autoconhecer-se e desfrutar da liberdade e privacidade há tempos desejadas. 

Uma boa notícia é que segmentos do turismo, como empresas de seguro de viagem, plataformas de venda de passagens e hospedagens e agências de turismo têm verificado que cresce o número de mulheres que viajam sozinhas, inclusive para fazerem intercâmbio, como informa a Associação Brasileira de Intercâmbio – ABIPE. Essas pesquisas revelam que não são somente as solteiras que estão buscando liberdade e privacidade, mas também as mulheres casadas e com filhos procuram investir um tempo para si mesmas e vivenciar diferentes experiências. (https://www.terra.com.br/noticias/dino/cresce-numero-de-mulheres-que-viajam-sozinhas-em-todo-o-mundo,6eb267b796e58a2c042da680ed904482qettzsce.html)

De acordo com levantamento da CVC, 30% das viagens na agência foram realizadas por mulheres viajando sozinhas. (Mulheres que viajam sozinhas - Portal Morada) 

Desejo, com este artigo, mostrar que é possível as mulheres viajarem sozinhas, se assim o quiserem. E, caso tenham o desejo, é só programar, pesquisar destinos, elaborar o roteiro e fazer as malas! Aposto que será uma viagem inesquecível!


sábado, 8 de abril de 2023

A VIDA COMEÇA AOS 50

    Quando completei 50 anos, fiquei a pensar no que eu tinha feito durante o meio século de existência vivido até então. Meditei em muitas lembranças da minha vida, umas muito boas, outras, nem tanto. Como desejei que o tempo voltasse uns 30 anos! Porém, eu sabia que isso seria impossível (por que ainda não inventaram uma máquina do tempo?). Bem, voltar no tempo seria útil somente se nossa mente estivesse com a sabedoria de agora, para não repetirmos erros passados. Então, só me restava viver da melhor forma possível as próximas décadas. Como é provável que não viva mais 50 anos com saúde e disposição, eu teria de buscar a minha melhor versão com urgência, pois não havia mais tempo a perder.

    Comecei minha segunda metade de século com uma grande e bonita festa de aniversário. Eu nunca havia tido uma festa de aniversário com tanta gente, com comida, docinhos, bolo e decoração. (verde e vermelha, remetendo a Portugal). Minha família nunca foi acostumada a comemorar aniversários, além de um bolinho. Quem preparou essa festa foi a equipe que trabalhava comigo na Seção de Projetos da Secretaria de Educação. A surpresa da festa foi tão grande, que virou uma chavinha dentro de mim, fazendo com que eu fizesse uma promessa interna, de que, daqui para a frente, todos os anos eu faria algo novo ou visitaria um lugar que eu nunca tivesse ido. Com a festa, senti-me renascendo, com novas oportunidades de ser feliz.

    Já li muitos textos afirmando que a vida começa aos 40. Aliás, essa é uma frase muito repetida, pois pesquisas informam que, nessa faixa etária, as pessoas já conquistaram muito do que almejavam, seja casa própria, família, emprego e carro. Embora eu já tivesse conquistado muita coisa antes dos 50, foi a partir dessa nova idade que me senti como tendo a vida realmente recomeçando. Ter 40 pode representar o auge da vida adulta, mas completar 50 é diferente – o corpo e a mente mudam drasticamente. Para mim, foi como um novo início.

    O melhor de tudo é que, depois dessa festa, consegui manter minha promessa: a cada ano, vivi novas experiências, mesmo durante a pandemia da COVID-19. Já lá vão 4 anos desde aquela primeira promessa. E sigo em frente neste propósito. É como digo: enquanto há vida e saúde, há uma série de possibilidades à nossa frente. Por isso, para mim, a vida começa aos 50.





quinta-feira, 23 de março de 2023

PRECISAMOS FALAR DE ETARISMO

     Com a recente notícia na mídia sobre a aluna de Biomedicina com 44 anos, que foi ridicularizada nas redes sociais por jovens colegas de curso, fiquei a pensar na minha trajetória de vida. 

    Aos 44 anos, fiz um curso de inglês no exterior, por um mês, morando em dormitório estudantil, sonho que eu não consegui realizar durante a minha juventude. Meus colegas jovens, com quem fiz amizade, mantém contato comigo até hoje pelas redes sociais.

    Com 45 anos, participei de uma coletânea de poesias (sim, gosto de escrever poemas) que foi publicada em uma editora portuguesa. Ainda tenho o objetivo de publicar um livro. Aguarde.

    Aos 47 anos, comecei a dirigir e comprei meu primeiro carro, libertando-me de um medo que me acompanhava desde mais nova.

    Ao completar 50 anos, dei de presente para mim uma viagem a Paris, sem falar francês, ganhando ainda mais confiança para continuar a viajar sozinha, o que eu faço desde meus 27 anos. Foi ao completar essa idade tão simbólica, que fiz a promessa de, a partir de agora, todos os anos em que eu viver, conhecerei um lugar novo no mundo ou realizarei alguma atividade inédita para mim.

    Foi então, no meio da pandemia da covid-19, com 52 anos, que eu fiz minha primeira - e até agora - tatuagem. Lógico que o desenho que escolhi representa o que mais gosto de fazer, que é viajar.

    Nessa altura, passei a ser mais ativa nas redes sociais, fazendo alguns cursos de comunicação, área pela qual sempre fui apaixonada, com o objetivo de incentivar outras mulheres a viajarem sozinhas e viverem de forma plena e feliz.

    Completei 53 anos sozinha na linda cidade de Ushuaia, na Patagônia Argentina. Pela primeira vez, visitei o Canal de Beagle, caminhei com pinguins e meditei enquanto observava uma enorme geleira. Ainda aos 53, comecei a caminhar e a participar de provas de pedestrianismo. Uma reeducação alimentar e exercícios físicos fizeram-me perder 18Kg.

    Relato tudo isso para explicar que realizar sonhos não depende da idade. Depende somente de desejar e se programar para isso. 

    Sendo assim, eu gostaria de dizer às mulheres mais jovens que, se tiverem sorte, chegarão à casa dos 40 anos e que isso não será motivo para aposentar ou desistir de fazer seja lá o que for. Eu diria também que discriminar alguém pela idade, ou seja, etarismo, deve ser combatido, uma vez que a expectativa de vida está cada vez maior no Brasil. Segundo os últimos dados do IBGE, a expectativa de vida dos homens passou de 72,8 para 73,1 anos e a das mulheres foi de 79,9 para 80,1 anos. 

    Espero, com estas minhas palavras, incentivar você, leitor a se levantar do sofá e agir rumo à realização daquilo com que sempre sonhou. É isso. Vamos viver uma vida plena de alegria e realizações.






quarta-feira, 15 de setembro de 2021

MOTIVOS PARA VIAJAR SOZINHA

    Comecei a viajar sozinha quando voltei a ser solteira, após um curto e conturbado casamento. Inicialmente, participei de excursões dividindo quarto com pessoas desconhecidas. Depois, passei a me hospedar sozinha e a fazer meu próprio roteiro. Foi a partir dessas experiências de liberdade com privacidade que comecei a adorar viajar sozinha. 
    Em uma viagem com grupo de amigos à Itália, maravilhosa por sinal, dentre algumas situações estressantes por causa de discussões relativas ao roteiro, duas em especial me convenceram de que, muitas vezes, viajar sozinha é melhor do que em grupo. No primeiro dia à chegada em Milão, metade do grupo de 25 pessoas ficou para trás na conexão em Lisboa por causa das imensas filas na Imigração (eu fazia parte desse grupo) e perdeu o voo. Tivemos de esperar nos colocarem em outro avião, que fez conexão em Madrid. Chegamos em Milão à noite e o grupo que havia chegado primeiro já tinha feito os passeios que constavam do roteiro. No dia seguinte, antes de seguirmos para Pádua, conforme o itinerário, a guia sugeriu que fizéssemos um tour por Milão para que nós, que havíamos sido prejudicados, não ficássemos sem conhecer um pouco da cidade. A maior parte do outro grupo não concordou, dizendo que íamos perder tempo e que não podiam sacrificar a programação por causa de nós. Depois de muita discussão, cedemos, seguimos em frente e não conhecemos Milão. 
    Outra ocasião muito estressante foi quando fui à Capela Sistina com mais três colegas e, poucos minutos após entrarmos, elas quiseram ir embora pois já tinham visto o suficiente. Eu queria ficar mais um pouco e observar os detalhes da pintura, mas como estávamos juntas, não pude. Aí, pensei: "tanto dinheiro investido numa viagem para não aproveitar como eu desejava!".
      Sendo assim, elenco abaixo bons motivos para  viajar sozinha:

    1. Autoconhecimento - com mais tempo sozinha, você passa a se conhecer mais.
    2. Liberdade - você faz o seu roteiro e fica o tempo que quiser em cada lugar.
    3. Privacidade - direito de ficar à vontade e respeitar seus gostos e preferências.
    4. Superação - você tem a possibilidade de superar medos e inseguranças.
    5. Novas amizades - sozinha, você tem mais oportunidade de conhecer outras pessoas.
    6. Flexibilidade - se uma programação não agrada mais, você pode alterá-la como e quando quiser.
   7. Observação - quando você está sozinha, tende a prestar mais atenção a detalhes que poderiam passar desapercebidos se estivesse conversando com outras pessoas.
    8. Realização pessoal - a alegria de chegar em casa sã e salva após aventurar-se sozinha por novos lugares é muito gratificante.
    9. Aprendizado - você aprende muito ao ter de resolver situações que normalmente seriam resolvidas por outra pessoa.
    10. Confiança - você adquire mais autoconfiança e melhoria na autoestima.

Viajar em família é muito bom, viajar com amigos é muito bom, mas viajar sozinha também é muito bom. E um tipo de viagem não exclui o outro. 
Se você sonha em conhecer um destino e mais ninguém tem vontade de ir, programe-se, pesquise, elabore seu roteiro, faça as malas e vá! Aposto que será uma viagem inesquecível!





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